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Na Paulista, Malafaia acusa Moraes de corrupção: “Ele foi comprado”. Siga no

 Manifestantes ocupam quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste domingo (1º/3), no primeiro ato bolsonarista deste ano, com foco na redução das penas aos condenados pelo 8/1, na prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nos ataques ao governo Lula e no impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ato deste domingo é o primeiro desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília, e da escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República pelo campo bolsonarista. O tom das críticas ao STF não era consenso entre os organizadores, mas parlamentares bolsonaristas fizeram discursos duros contra os ministros da Corte.

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Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG)
Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil)
Governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo)
Presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, chega, na tarde deste domingo (1º/3), à Avenida Paulista, para participar de ato que defende a conversão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar

A manifestação “Acorda Brasil” foi convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e pelo pastor Silas Malafaia, e também acontece em outras capitais brasileiras. Em São Paulo, além de Flávio, outros dois presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), foram ao ato na Avenida Paulista neste domingo.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) desfalca a manifestação bolsonarista porque viajou para a Alemanha para participar do evento Intercontinental Dialogues, que terá a participação do ministro do STF André Mendonça, além de outras autoridades do mundo jurídico, político e empresarial.

Ataques a Lula e ao STF

Em um duro discurso, o pastor Silas Malafaia acusou o ministro Alexandre de Moraes de corrupção por causa do contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia da mulher dele com o Banco Master.

“A mulher de Alexandre de Moraes tem um contrato de R$ 129 milhões com Banco Master para fazer o quê? Nada. Sabe o que significa isso? Corrupção deslavada. Compra do poder de Alexandre de Moraes”, disse Malafaia. “Ele [Moraes] foi comprado. Seu poder foi comprado”, completou.

Malafaia afirmou que Moraes até agora “não veio a público para dar satisfação dessa imoralidade” e disse que o STF está “desmoralizado” com o escândalo do Banco Master. “Alexandre de Moraes e Dias Toffoli tinham de estar afastados do STF. Não tem moral para julgar ninguém”.

Vários deputados estaduais e federais de São Paulo discursaram em cima do trio elétrico na Paulista para um público que segurava faixas e cartazes com os dizeres “Libertem Bolsonaro”, “Fora Moraes”, “Fora Lula” e “STF Organização Criminosa”.

Em uma rápida fala, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ), puxou um coro “Fora Alexandre de Moraes” e “Fora Lula” repetidas vezes em cima do trio elétrico. Na sequênia, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) incluiu o nome do ministro Dias Toffoli na lista de ataques.

Durante o ato, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) entrou ao vivo dos Estados Unidos, por chamada de vídeo feita dentro do carro, para agradecer o apoio ao seu pai e defender a eleição de seu irmão presidente da República. “Vocês estão fazendo valer a pena todo o sacrifício”, disse Eduardo. “Com certeza um recado fica cada vez mais forte que nós preferimos as lágramas da derrota do que a vergonha de não ter lutado”.

“Anistia com a eleição do Flávio Bolsonaro presidnete e com uma bancada de depuatdos e senadores fortes e valentes”, completou Eduardo Bolsonaro.

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) afirmou que Moraes não explicou o contrato milionário que o escritório de advogacia da mulher dele tinha com o Banco Master e criticou a decisão do ministro Gilmar Mendes de anular a quebra de sigilo feita pela CPI do Crime Organizado da empresa de Dias Toffoli que foi proprietária do resort no Paraná que teve um fundo ligado ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, como sócio.

“Uma aberração. Simplesmente, Gilmar Mendes decide ajudar o amigo Toffoli. Tudo o que eles querem é que nós sejamos mansos
Mas vou dizer, acabou o tempo do medo”, disse Gayer.

O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, que fez um breve discurso atacando o presidente Lula e poupando o STF. Derrite chamou o petista de “descondenado” e celebrou a aprovação do PL Antifacção, do qual foi relator. “Acabamos com o direito do voto dentro de presídio. Chega de bandido votar”, disse.

“A gente sabe que nada do que está acontecendo é legal. Tudo é uma perseguição política, foi julgado por um tribunal de inimigos. Então, a gente precisa mostrar para o sistema que a gente está mais vivo do que nunca”, disse o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Já a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) explicou que ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não foi ao ato em São Paulo porque fez uma cirurgia recente e citou a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataque feito pelos Estados Unidos e Israel, como exemplo de combate a regimes opressores. “Estamos assistindo no mundo um grande despertar. O regime opressor ruiu, viva a liberdade”, disse.

Em cima do trio, a parlamentar listou o repertório dos ataques bolsonaristas ao STF e a Lula, incluindo as suspeitas sobre o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no escândalo do INSS. “Estamos revelando os corruptos, não só os pequeninos. Os grandes tubarões também. Nós relevamos o esquema do Lulinha. Nós queremos os corruptos na cadeia e queremos liberdade para os presos políticos, para os perseguidos”, disse.

“Vamos buscar a CPMI do Banco Master. Nós não temos bandido de estimação. Nós queremos todos os corruptos na cadeia. Libertem Jair Messias Bolsonaro. E fora Lula, fora Toffoli, fora Moraes. Acorda Brasil”, disse Bia Kicis.

Divisão sobre ataques ao STF

Entre os entusiastas do ato, há uma divisão sobre o nível dos ataques ao STF. Uma ala dos bolsonaristas entende que a pressão por um impeachment do ministro Dias Toffoli, que saiu da relatoria do caso Master, pode ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A avaliação desse grupo é que, com a cadeira de Toffoli vaga, Lula poderia nomear para o lugar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), o que seria um atrativo de novos aliados do Centrão para a campanha petista, principalmente em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Outra ala acredita que o impeachment de Toffoli abriria um precedente para o impedimento de outros magistrados da Suprema Corte, como o ministro Alexandre de Moraes. Esse pensamento é vocalizado, por exemplo, pelo pastor Silas Malafaia.

“Para o Lula trabalhar para o impeachment de Toffoli, tem que trabalhar para o impeachment de Moraes. Então, ele não tem saída”, afirma Malafaia ao Metrópoles.

Organizadores do ato cogitaram pedir a assinatura de um termo de responsabilidade para quem discursar no trio elétrico que estará estacionado na esquina da Paulista com a rua Peixoto Gomide.

O documento redigido por advogados foi pensado para que as falas não tenham ataques pessoais a instituições ou descumpram a legislação eleitoral, como a que veda propaganda eleitoral antecipada.

A ala bolsonarista que prefere evitar ataques a ministros do STF defende a anistia como pauta principal do ato. Diante dessa disputa sobre o tema principal do protesto, os organizadores elaboraram uma convocação com pauta difusa. Foram elencados seis assuntos: liberdade aos presos do 8 de janeiro de 2023, harmonia entre os Poderes, combate a corrupção, a aumento de impostos, a prejuízos de estatais e a aumento da criminalidade.


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